CUIDADO COM A MARCHA À RÉ NA “WANDERLÉIA”

Para semirreboque com eixo distanciado (carreta “Wanderléia”) a condição de “autodirecional” é proporcionada pela instalação da “rala giratória” em um dos eixos (normalmente o 1º).
O mecanismo desse eixo é dotado de sistema de auto-alinhamento quando em movimento retilíneo à frente. Durante uma manobra o eixo executa o esterçamento unicamente por força do atrito dos pneus com o pavimento, e alinha-se automaticamente quando o veículo retorna ao movimento retilíneo para frente.
Esse auto-alinhamento se dá em função da excentricidade entre o centro do eixo e o centro da rala giratória. Como o centro do eixo está posicionado para trás do centro do giro da rala, ele se alinha automaticamente no movimento retilíneo à frente (como as “rodinhas” de um carrinho de supermercado).
No entanto, em movimento reverso (marcha à ré), o eixo autodirecional deve ser automaticamente levantado. Caso contrário, tenderia a girar 180º em função dessa excentricidade, o que por questões construtivas, seria impossível.

Quer esteja vazio ou carregado, ao engatar-se ré, o 1º eixo automaticamente é levantado.

Até aqui tudo certo!

No entanto, é importante saber que: ao levantar-se o 1º eixo na condição carregado, elimina-se um apoio no piso, e a estrutura da carreta passa a ser submetida a esforços muito maiores que na condição com os 3 eixos no piso.
Praticamente dobra-se o Momento Fletor na região, e o ponto crítico desloca-se pouco para trás, conforme ilustra o gráfico.
Para as carretas convencionais (com chassi) pode-se observar uma deformação extra (o chassi dá uma “selada”), mas normalmente retorna quando o 1º eixo volta para o piso.
No entanto, o maior risco está nos tanques longos autoportantes de parede fina!
Ao levantar-se o 1º eixo com o tanque carregado, praticamente dobram-se as solicitações na região central. O grande risco de colapso tem como início a região superior do costado do tanque.
Explico: dependendo da intensidade da compressão no topo do tanque, pode ocorrer a flambagem (“buckling”). Ao deformar-se no topo, provoca-se o colapso da região inferior, abrindo o costado do tanque e vazando toda a carga!.
O ASME publicou uma matéria sobre esse risco em seu Jornal de Agosto de 2013.
Recomenda-se que os projetos considerem essa situação e reforcem a região central desses tanques, com utilização de chapas de maior espessura ou com chassi externo. O que nós podemos recomendar para os condutores:
- Evite suspender o eixo ou engatar marcha à ré na condição carregado de qualquer carreta com eixo distanciado;
- Semirreboque tanque com parede fina e eixo distanciado: jamais execute marcha à ré (ou suspenda o 1º eixo) na condição carregado.
Fica o alerta!


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MSc. Eng. Rubem Penteado de Melo